CIÊNCIA

Por que o mar é salgado e os rios não? A ciência explica

A chuva desgasta as rochas, os rios carregam os minerais e o oceano guarda tudo há milhões de anos, enquanto a água evapora e volta para os rios.

Por Gabriel JesusPublicado em 30 de outubro de 2026, 12:41Tempo de leitura: 5 min
IMAGEM ILUSTRATIVA - IA
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Quem já tomou um caldo no mar e depois mergulhou num rio conhece a diferença na hora. Em cada quilo de água do oceano, cerca de 35 gramas são sais. Já a água considerada doce, pela classificação usada no Brasil, tem no máximo 0,5 grama por quilo, pelo menos 70 vezes menos.

O curioso é que boa parte do sal do mar chegou até ele justamente pelos rios. A diferença está no que acontece com a água depois que ela chega ao oceano, uma história que começa no céu e termina, em parte, no fundo do mar.

A chuva desmancha as rochas, bem devagar

Ao cair, a chuva absorve um pouco do gás carbônico do ar e fica levemente ácida. Essa acidez é fraca, mas suficiente para, ao longo de milhares de anos, desgastar e dissolver os minerais das rochas.

O processo se chama intemperismo. A água que escorre pelo solo e pelas pedras leva consigo minerais dissolvidos, em forma de íons, até os córregos e rios. A água de torneira e a dos rios também contêm esses sais, mas em quantidade tão pequena que não dá para sentir o gosto.

O rio passa, o mar acumula

A diferença entre rio e mar está no destino da água. O rio é renovado o tempo todo pela chuva e pelas nascentes, e a água segue em frente, levando os sais embora antes que eles se concentrem.

No oceano, a água não tem para onde ir, a não ser para cima. O sol evapora a água do mar, que forma nuvens e cai de novo como chuva doce. Os sais não evaporam e ficam para trás. Repetido por milhões de anos, esse ciclo deixou o oceano salgado.

O mesmo acontece em lagos sem saída para o mar. O Grande Lago Salgado, nos Estados Unidos, e o Mar Morto, entre Israel e Jordânia, são cerca de dez vezes mais salgados que o oceano. Eles recebem rios, mas perdem água só por evaporação.

Mesmo assim, a carga dos rios é pequena diante do tamanho do mar. Segundo a Universidade do Texas em Dallas, todos os rios do mundo levariam de 200 a 300 milhões de anos para entregar a quantidade de sal que existe hoje nos oceanos.

Fontes no fundo do oceano também temperam a água

IMAGEM ILUSTRATIVA - IA
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Os rios não são a única origem do sal. No fundo do mar, ao longo das cordilheiras submarinas, a água do oceano se infiltra por rachaduras na crosta, é aquecida pelo magma e volta carregada de minerais por fontes hidrotermais.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o volume de fluido que passa por essas fontes é tão grande que toda a água dos oceanos poderia circular por elas a cada 10 a 20 milhões de anos. Vulcões submarinos também adicionam minerais quando a lava quente reage com a água.

Dois elementos dominam a mistura: o cloreto e o sódio, os mesmos do sal de cozinha. Juntos, eles somam mais de 90% dos íons dissolvidos no mar. Por estimativa citada pela agência americana NOAA, se todo esse sal fosse retirado e espalhado sobre os continentes, formaria uma camada de cerca de 166 metros, a altura de um prédio de uns 50 andares.

Por que o mar não fica cada vez mais salgado

Se rios e fontes despejam sal sem parar, seria de esperar um oceano cada vez mais salgado. Não é o que acontece. Parte dos sais é retirada pela própria natureza: organismos marinhos usam minerais para formar conchas e esqueletos, e reações no fundo do mar prendem outros elementos em novas rochas.

O resultado é um equilíbrio. A salinidade média do oceano gira em torno de 35 por mil há milhões de anos. Varia por região: em áreas quentes, onde a evaporação é maior, passa disso. Perto de grandes rios e de regiões muito chuvosas, cai.

Onde o Brasil sente essa diferença

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No Norte do país, o Rio Amazonas mostra o encontro entre doce e salgado em escala gigante. Ele despeja no Atlântico cerca de um quinto de toda a água doce que os rios do planeta levam ao mar. A pluma de água doce, mais leve, flutua sobre a salgada e se espalha por centenas de quilômetros. No período de chuvas, chega a reduzir a salinidade da região em até 11%.

No Nordeste, o caminho é o inverso. Nas salinas do litoral do Rio Grande do Norte, a água do mar é levada para tanques rasos, onde o sol forte e o vento do semiárido evaporam a água e deixam o sal. O estado produz cerca de 95% do sal marinho brasileiro, que chega à mesa de boa parte do país.

É o mesmo processo que salgou o oceano, repetido em pequena escala: a água vai embora para o céu, e o sal que as rochas soltaram há milhões de anos fica para trás, branco, no fundo do tanque

FONTES: https://www.usgs.gov/water-science-school/science/why-ocean-salty



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